Crítica do filme V de Vingança
Abaixo você pode conferir uma critica do filme V de Vingança, que adapta um dos melhores quadrinhos já escritos, V de Vingança - a HQ foi escrita por Alan Moore e desenhada por David Lloyd - e nada melhor que hoje, dia 5 de Novembro para publicar essa critica, não é mesmo?
[A crítica foi feita por Ricardo S. Tayra]
V de Vingança, o filme, passa longe de representar para o cinema o que sua versão original representou para os quadrinhos. Contudo, pode ser considerado um filme razoável se for colocado de lado o fato de ser uma adaptação: ainda é uma história interessante, com direção e edição razoáveis.
A atriz Natalie Portman interpreta (bem) sua personagem Eve, uma garota trabalhadora comum que vive numa Inglaterra opressora, num futuro não tão distante. Sua vida muda no dia em que contraria o toque de recolher e é salva de uma situação de vida ou morte por um sujeito mascarado que se autodenomina “V” (Hugo Weaving, o sr. Smith de Matrix, também numa boa atuação). V é bom de briga e acaba resgatando a garota por acaso, em meio à sua luta para libertar o povo inglês da corrupção e crueldade do governo. Sua arma? O terrorismo. Os dois passam a desenvolver uma conexão e a garota vai passando a ver o mundo de outra forma, graças ao enigmático companheiro. E, enquanto isso, são perseguidos pelo governo tirânico e pela polícia (onde temos também a participação do detetive Finch – Stephen Rea – que quer, acima de tudo, saber a verdade sobre V, mesmo que custe desobedecer algumas regras e passar por cima de segredos de estado).
O roteiro dos irmãos “Matrix” Wachowski tem uma série de mudanças em relação ao original. Começa pela atualização da história, escrita numa época de guerra fria, nos anos 80, e passa por mudanças de personagens, aumento de cenas de ação, supressão de trechos e acréscimo de outros. Evey não é uma prostituta como nas HQs (o que empobrece um pouco a personagem, ao contrário do que pensa Natalie Portman), a “voz” de Londres é também um “rosto” (ou seja, é um discurso oficial pronunciado pela TV, não via rádio), o final é diferente, etc... Mas é perceptível o respeito que os roteiristas e o diretor estreante James McTeigue têm pelo original e a vontade que têm de conduzir contando um bom filme. O problema é que, na prática, as pequenas mudanças se unem e a história passa a ser centrada muito mais na questão da vingança de V àqueles que o fizeram sofrer no passado do que promover o debate sobre opressão e liberdade que o original conseguiu (além da discussão sobre a importância dos próprios quadrinhos, mas é claro que isso não conseguiria ser transposto para o cinema). É antes um filme blockbuster (bom) do que feito para se pensar de modo mais profundo.
A produção é muito bem cuidada, com bons cenários e figurino. Os atores protagonistas foram muito bem escolhidos e Weaving pode ser considerado um achado como V. Mesmo sob a limitação de atuar o filme todo coberto por uma máscara, consegue dar vida e carisma ao personagem: “ganha” o público, que passa a torcer por ele. Por outro lado, o personagem se torna mais concreto que na versão das HQs, na qual há passagens que permitem diversas visões sobre a resposta à pergunta: quem diabos é este V?
A direção/roteiro pecam ao tentar colocar muita coisa da HQ no filme, encurtando sequências que deveriam ser mais longas (como a passagem de Evey pela prisão). Muda o ritmo da história, que ganha uma estética muito mais videoclip que deveria: V de Vingança tinha que ser um filme um pouco mais lento.
Vale destacar que Alan Moore, roteirista da HQ, já algum tempo vem demonstrando descontentamento no uso de suas obras pela editora DC Comics (que pertence ao grupo Time Warner, que produziu o filme). Tanto que pediu para que seja retirado dos créditos de quaisquer republicações e adaptações, incluindo a do cinema. Extremamente autoral (e cheio de esquisitices geniosas), Moore não consegue ver suas obras modificadas e já brigou muito com DC por isso. Mas a editora é dona dos direitos de V de Vingança e outros títulos dele e só agora efetivamente cumpriu o desejo de retirá-lo dos créditos (afinal, a DC já aprendeu que o nome de Moore vende). No filme, apenas o desenhista David Lloyd (que apoiou a obra) é creditado pela HQ.
De todo modo, V de Vingança – o filme, merece ser conferido. E quem estiver curioso para saber da HQ original, oportunidade, você encontra na Amazon por apenas R$14,76. Assista ao filme, lei a HQ, vista a máscara. Inglaterra Triunfa!
Trailer:
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Remember, remember, the fifth of November!
Fonte: rederpg

